Projeto AMC/LBA

O uso sustentável de florestas na Amazônia deve basear-se num sólido entendimento científico do meio ambiente. Novas práticas somente serão bem sucedidas se seus métodos e objetivos considerarem os fatores e as demandas ambientais. O entendimento de ecossistemas naturais proporcionará o discernimento necessário à concepção de sistemas de manejo sustentável, os quais poderão emular as adaptações biológicas que se desenvolvem nas condições ambientais particulares da Amazônia. Atualmente, temos um incompleto entendimento de como a Amazônia se comporta como um sistema ambiental integrado e como seus vários ecossistemas respondem à intervenção antropogênica. Nesse sentido o Projeto LBA - (do inglês, Large Scale Biosphere-Atmosphere Experiment in Amazonia) tem como objetivo gerar novos conhecimentos necessários à compreensão do meio ambiente amazônico. O LBA é uma iniciativa internacional de pesquisa liderada pelo Brasil. Envolve pesquisadores de diversas áreas, tais como, químicos, físicos, meteorologistas, biólogos, agrônomos, hidrólogos, entre outros.As questões que serão analisadas pela equipe de pesquisadores são:

- De que modo a Amazônia funciona, atualmente, como uma entidade regional?

- De que modo as mudanças dos usos da terra e do clima afetarão o funcionamento biológico, químico e físico da Amazônia, incluindo sua sustentabilidade e sua influência no clima global?

No contexto do LBA há vários projetos, entre eles o Projeto AMC (do inglês, Atmospheric Mesoscale Campaign) e o CIRSAN (CIRculações locais em SANtarém).

Durante os meses de janeiro e fevereiro de 1999 (entre 15 de janeiro e 28 de fevereiro) realizou-se em Rondônia a primeira campanha de medidas intensivas do AMC/LBA, denominada WET, correspondente à estação chuvosa. Essa campanha contou com a participação de pesquisadores estado de São Paulo do INPE, da USP, do CTA, da UNESP e de várias universidades em outros estados (UFPA, UFAL, UFRJ, UFSM, UNIR, ULBRA) com a colaboração do IBAMA, INCRA e IAMÁ, todos estes de certa forma ligados à pesquisas sobre o Meio Ambiente. Houve também a participação da NASA e da Comunidade Européia através de mais de uma centena de pesquisadores. Todo esse esforço visa aumentar nosso conhecimento sobre a Amazônia e sobre os impactos dos desmatamentos tanto do ponto de vista regional como do ponto de vista global enfocando, neste caso, a estação chuvosa. As medidas realizadas são das mais diversas e envolvem alta tecnologia. Incluem-se radares meteorológicos, do gênero Doppler, para detecção de chuva e ventos; aviões instrumentados para medidas dentro e ao redor das nuvens; instrumentos para medida dos processos nas interfaces solo-vegetação-atmosfera colocados em torres nas florestas e nas regiões desmatadas, torres estas que incluem as medidas da concentração de gases traço, aerossóis e gases de efeito estufa; balões instrumentados para medidas atmosféricas até alturas de 25 km, consistindo, portanto, numa grande quantidade de instrumentos baseados na mais moderna tecnologia. Além disso, a NASA utiliza estas medidas para calibrar os dados do satélite experimental TRMM (do inglês, Tropical Rainfall Measurement Mission) em colaboração com os pesquisadores brasileiros, em sua Campanha de Validação Global do Satélite.

Outra campanha será realizada em Rondônia e Mato Grosso entre setembro e dezembro de 2002, que tem como objetivo obter dados da transição entre as estações seca e chuvosa da região tropical. Assim, essa campanha é denominada DRY TO WET.

Campanhas menores também são realizadas. Uma delas é o CIRSAN, ocorrida na região de Santarém, Pará durante os meses de julho e agosto de 2001. Esta campanha teve como objetivo pesquisar as características das circulações locais nas proximidades de sítios experimentais de medidas do Projeto LBA na Floresta Nacional do Tapajós e áreas vizinhas.

É importante que se aproveite esta oportunidade para divulgação do esforço nacional envolvido nesse empreendimento e do grande interesse internacional que provoca. É também uma oportunidade educacional no sentido de mostrar como as diversas áreas de pesquisa científica no Brasil se unem para atacar problemas de meio ambiente de grande relevância social e política.